sábado, 12 de março de 2016

O marido distraído

- Thau, amor! - disse Tiago, dando um selinho em Sônia, que correspondeu com um largo sorriso e continuou seus afazeres domésticos.

Sônia e Tiago haviam se casado havia poucas semanas, mas a rotina de ambos já estava adaptada ao novo status civil do casal. Haviam decidido que, inicialmente, apenas Tiago trabalharia fora, enquanto caberia a Sônia realizar os cuidados com a casa.

Naquele mesmo dia, ainda no período da manhã, Sônia estava separando as roupas sujas para iniciar a lavagem. Como de praxe, primeiro verificava todos bolsos para evitar que algum material caísse no sistema de lavagem da máquina. E eis que naquele dia ela encontrou, no bolso de Tiago, um pequeno papel bem dobrado. Gelou... Desdobrando, seu coração pulou para a boca quando leu o que estava escrito...

Em caneta cor-de-rosa, com letra cursiva de característica bastante feminina, estava escrito um nome, que só poderia ser um nome de mulher! "Quem é essa mulher? E por que ela deu esse papel com o nome dela para meu marido?" - pensou Sônia, entre várias outras perguntas, enquanto caía num emaranhado de medo, raiva e ciúmes.

Sônia não trabalhou mais naquele dia. Deixou o montinho de roupas para lavar jogado no chão, ao lado da máquina. Não preparou almoço, não comeu nada além do café-da-manhã e ficou transitando da cama pro sofá durante o resto do dia, ora chorando, ora imaginando mil e uma coisas que não queria que fossem verdade...

No fim da tarde, quando Tiago retornou, encontrou Sônia deitada no sofá, já cansada de tanto chorar por todo aquele dia... Assustado, perguntou:

- Que foi amor? O que aconteceu?

Sônia então lhe mostrou o papel e pediu explicações.

- Amor, juro que não sei, não lembro! Olha, deve ter sido o pessoal do trabalho, uma brincadeira... - carinhosamente confortou e tranquilizou Sônia - Vamos fazer o seguinte, amanhã eu pergunto quem fez isso e reclamo, pois foi uma brincadeira de muito mal gosto!

No dia seguinte, ao chegar ao trabalho, Tiago mostrou o papel aos colegas e perguntou:

- Gente, quem fez isso aqui? Vocês sabem que eu sou recém casado, minha mulher não gostou da brincadeira... e nem eu!

Todos os colegas negaram conhecimento daquele papel. Mas a solução do mistério veio com a observação de Paula, uma de suas colegas do trabalho:

- Tiago, você é muito esquecido mesmo, hein?

- Como assim? Você sabe o que é isso? - disse Tiago.

- Claro que eu sei, Tiago. Fui eu que escrevi esse papel e te dei. Lembra que dois dias atrás você estava bastante resfriado?

- Lembro! Mas e esse papel?

- Pois bem, lembra que eu comentei com você sobre seu resfriado e anotei nesse papel o nome do remédio que eu costumo tomar quando estou com os mesmos sintomas que você teve... Inclusive você comprou o remédio, tomou e melhorou, não foi?

Agora tudo estava esclarecido para Tiago. Paula estava certa: tudo isso aconteceu havia dois dias e ele, esquecido como sempre, havia apagado da memória o nome daquele medicamento.

A fim do dia, chegando em casa, mostrou o papel e a caixa do medicamento para Sônia, que abriu um grande sorriso ao decifrar toda aquela situação!

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